13 June 2011

Povo sem educação não quer educação

Amanda Gurgel, professora
O mundo acompanhou há alguns meses atrás um movimento que tomou proporções gigantescas através da internet, que culminou na queda de um chefe de estado, o ditador Hosni Mubarak, no Egito. Antes e após esse acontecimento, que ficou marcado como sendo a mais importante e legítima manifestação popular, utilizando-se das novas tecnologias de interação social da internet, outras semelhantes ondas de protestos e reivindicações tomaram conta da grande rede.
No Brasil houveram episódios semelhantes e até inusitados, como o protesto contra uma parte dos moradores do bairro paulistano de Higienópolis, que foram contra a construção de uma estação de metrô e acabaram virando motivo de piada, além é claro, revolta e top-trend no Twitter. Aliás, os brasileiros estão freqüentemente no topo da lista dos assuntos mais comentados do mundo nessa rede social. Os assuntos são diversos, desde a dança dos famosos até o Thiago Neves, depois de marcar um gol pelo Flamengo (aliás, o que só comprova, infelizmente, qual a maior torcida do Brasil...).
Há alguns dias atrás fiquei muito empolgado depois que um vídeo de uma professora nordestina (Amanda Gurgel), dizendo umas boas verdades a nossos "queridos" governantes, caiu nas graças do povo conectado brasileiro. E mais ainda depois que, ela própria, convocou os twitteiros de plantão para uma grande manifestação através da rede, reivindicando uma parcela maior do PIB brasileiro destinada a educação do país.
Minha empolgação logo se transformou em desânimo total para com a maioria dos compatriotas, que levaram a Sabrina Sato ao top-trend, por conta de seu novo penteado, ao invés da manifestação a favor da educação, única e desgastada ferramenta capaz de eliminar qualquer problema de uma comunidade, nação e do mundo.
Antes das conclusões que vos é direito, falo e escrevo sobre educação de boca e mão cheios, pois, sou testemunha viva do que a educação pode trazer de benefício e transformação a um ser humano. E a transformação de um país começa com a transformação de cada um que faz parte dele.
A educação não necessita ser imposta, mas necessita ser direito, o que não é em várias partes do mundo, coisa que nem todos sabem ou se importam. O que quase todos sabem e, ainda assim continuam não se importando, é que educação é palavra de baixo calão para alguns (maioria) dos governantes.
E não, quando falo sobre educação, não me refiro a algo abstrato como quando falamos sobre a paz - "eu quero a paz, vamos lutar pela paz..." - não, me refiro a merenda descente, materiais didáticos de qualidade e modernos, condizentes com a era tecnológica em que vivemos. Coisas concretas e pagáveis, pois dinheiro jamais deveria faltar. Não tem aula porque? Não tem professor? Porque? Porque ninguém quer se matar a míseros trocados.
Hoje a área de tecnologia, na qual tenho o orgulho de atuar, sofre um déficit de pelo menos 90 mil profissionais no Brasil, tendo as empresas brasileiras que, por muitas vezes, recrutar estrangeiros para atuar aqui. Por que?
Porque pessoas que poderiam fazer a diferença, lutando, reivindicando um lugar melhor pra se viver, preferem gastar a energia de um clique, para comentar o cabelo de uma personagem de silicone que vai contra tudo o que a mulher luta há anos: reconhecimento por ser inteligente e capaz, tanto quanto os homens. Ao invés disso, poderiam gastar a mesma quantidade de energia apoiando a luta de, essa sim, uma mulher de verdade, que não se alienou nem se entregou à imposição do estado de manter seu rebanho confinado e produzindo energia para suas engrenagens tortas.
Para me sentir melhor, procuro pensar que as pessoas que não ligam para uma manifestação em massa em pról da educação, devem agir assim por coerência. Isso! coerência, pois estariam protestando contra pessoas pelas quais elas mesmo elegeram...
Mas eu? nem desse mal eu sofro, pois meus votos nulos jamais (espero) pertencerão a eles.
Enquanto isso, a educação continuará soando como uma blasfêmea, pois, só assim eles continuarão fazendo o povo pensar que votar em palhaço é sinal de protesto e que voto nulo elege os maus...


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